sexta-feira, 2 de abril de 2010

Semana Santa

Estamos na Semana Santa, semana que antecede a Páscoa. Esta época, para nós cristãos, é o momento mais importante entre todos os outros acontecimentos. Relembramos a última ceia, a instituição da Eucaristia e do Sacerdócio, a Paixão e Morte de Jesus e sua gloriosa Ressurreição.

Ontem, Quinta-feira Santa, celebramos a Ceia do Senhor; gostaria de postar o Evangelho que refletimos e sua grandeza. Toda a caminhada e ações de Jesus servem de exemplo para nós.
Intelectuais, ambientalistas, governo discutem sobre 'salvar o planeta'. Eu tenho certeza que somente se todos vivêssemos o Evangelho por Ele ensinado, é que teríamos um mundo melhor, sem ganância, ódio, violência, egoísmo, sem destruição humana e ambiental.

Vamos ao Evangelho da Quinta-feira Santa, retirado da Bíblia Sagrada - Edição Pastoral:

Jo 13,1-15:
Antes da festa da Páscoa, Jesus sabia que tinha chegado a sua hora. A hora de passar deste mundo para o Pai. Ele, que tinha amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim. Durante a ceia, o diabo já tinha posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, o projeto de trair Jesus. Jesus sabia que o Pai tinha colocado tudo em suas mãos. Sabia também que tinha saído de junto de Deus e que estava voltando para Deus.
Então Jesus se levantou da mesa, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a na cintura. Colocou água na bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, enxugando com a toalha que tinha na cintura. Chegou a vez de Simão Pedro. Este disse: "Senhor, tu vais lavar os meus pés?" Jesus respondeu: "Você agora não sabe o que estou fazendo. Ficará sabendo mais tarde." Pedro disse: "Tu não vais lavar os meus pés nunca!" Jesus respondeu: "Se eu não o lavar, você não terá parte comigo." Simão Pedro disse: "Senhor, então podes lavar não só meus pés, mas até as mãos e a cabeça." Jesus falou: "Quem já tomou banho, só precisa lavar os pés, porque está todo limpo. Vocês também estão limpos, mas nem todos." Jesus sabia quem o iria trair; por isso é que ele falou: "Nem todos vocês estão limpos."
Depois de lavar os pés dos discípulos, Jesus vestiu o manto, sentou-se de novo e perguntou: "Vocês compreenderam o que acabei de fazer? Vocês dizem que eu sou o Mestre e o Senhor. E vocês têm razão, eu sou mesmo. Pois bem: eu, que sou o Mestre e o Senhor, lavei os seus pés; por isso vocês devem lavar os pés uns dos outros. Eu lhes dei um exemplo: vocês devem fazer a mesma coisa que eu fiz."


A morte de Jesus abre a passagem para o Pai, e testemunha o amor supremo que mostra o sentido de toda a sua vida. O gesto de Jesus é ensinamento: a autoridade só pode ser entendida como função de serviço aos outros. Pedro resiste, porque ainda acredita que a desigualdade é legítima e necessária, e não entende que o amor produz igualdade e fraternidade. Na comunidade cristã existe diferença de funções, mas todas elas devem concorrer para que o amor mútuo seja eficaz. Já não se justifica nenhum tipo de superioridade, mas somente a relação pessoal de irmãos e amigos.

Hoje, celebramos a Paixão do Senhor, o dia em que Ele morreu por todos nós, não se importando com raça, credo, condição social. Somente pediu Amor. 


O Evangelho de hoje é o Jo 18, 1-19,42.
Este Evangelho narra a Paixão de Jesus.

Comentários do Evangelho retirado da Bíblia Sagrada - Edição Pastoral:
Em Jo 18,1-14: O jardim recorda o paraíso do Gênesis, de onde o homem tinha sido expulso. Jesus entra no jardim para enfrentar e derrotar a serpente, símbolo do mal que oprime e mata os homens. Ninguém tem poder para prender Jesus ou defendê-lo. Ele é preso porque entrega livremente a própria vida, cumprindo até o fim a missão que o Pai lhe confiou.
15-27: O testemunho dado por Jesus está entre as negações de Pedro. Há um contraste de atitudes. Antes Pedro usara a violência e Jesus se entregara livremente. Agora Jesus corajosamente dá testemunho diante das autoridades, sem nada negar de sua atividade anterior; Pedro, ao contrário, nega covardemente sua condição de discípulo e seu passado de adesão a Jesus. Jesus terminou o tempo da sua atividade terrestre. Agora seu testemunho deve ser continuado pelos seus seguidores.
28-32: Os representantes do poder religioso e do poder político se encontram para resolver o caso Jesus de Nazaré. É a véspera da Páscoa, a festa da libertação, transformada agora em mero rito. As autoridades dos judeus já decidiram a morte de Jesus: querem apenas a aprovação de Pilatos.
33-38a: Jesus confirma que é rei. Sua realeza, porém, não é semelhante à dos poderosos deste mundo. Estes exploram e oprimem o povo, enganando-o com um sistema de ideias, para esconder sua ação. É o mundo da mentira. Jesus, ao contrário, é o Rei que dá a vida, trazendo aos homens o conhecimento do verdadeiro Deus e do verdadeiro homem. Seu reino é o reino da verdade, onde a exploração dá lugar à partilha, e a opressão dá lugar à fraternidade.
28b-40: O bandido Barrabás é símbolo da violência que busca o poder, que perpetua o modo de ser dos reinos deste mundo. As autoridades preferem Barrabás, porque a pessoa de Jesus põe em risco os reinos deste mundo.
19,1-3: Jesus é caricaturado como rei (coroa e manto vermelho). Caçoando de Jesus assim fantasiado, os soldados na verdade ridicularizam o ideal de realeza dos poderosos deste mundo.
4-8: Manifesta-se agora a verdadeira realeza, a do Homem que entrega sua própria vida pelos outros homens. Os opressores o rejeitam e pedem sua morte, acusando-o do crime que é justamente a verdade mais profunda do Homem: ser Filho de Deus. Como instrumento do poder, alei torna-se inimiga do homem.
9-12a: Jesus não se aproveita do medo supersticioso de Pilatos para conseguir sua liberdade. Os chefes dos judeus veem Jesus como perigoso para seus interesses e aliam-se ao opressor, exigindo a sentença de morte. O dilema de Pilatos é o dilema do homem dependente do sistema injusto de poder: ou arrisca a própria posição ou sacrifica o inocente. Deus, o único que tem autoridade absoluta, permite que Pilatos e os chefes judeus tomem a decisão e assumam a responsabilidade.
12b-16a: Ao meio-dia, os sacerdotes do templo começavam a matança dos cordeiros para a Páscoa, festa que celebrava o fim da escravidão no Egito. No mesmo instante, os chefes dos sacerdotes fazem sua profissão de ateísmo, declarando-os súditos do opressor romano. Sentado na cadeira de juiz, Jesus ratifica em silêncio a condenação que os chefes escolhem para si próprios.
16b-18: A cruz é o trono de onde Jesus exerce a sua realeza. Ele não está só, mas é o centro daqueles que o acompanham, dando a vida como ele.
19-22: O letreiro apresenta Jesus crucificado como a Escritura da nova aliança de Deus com a humanidade: Jesus é o Rei que entrega sua vida por todos. Doravante, a cruz será o símbolo do amor de Deus, que vai até o fim. A nova Escritura é compreensível a todos, porque a linguagem do amor é universal e permanece escrita para sempre.
23-14: A roupa de Jesus é a sua herança, espalhada pelos quatro cantos da terra. Deverá ser vestida por todos os que querem seguir a Jesus, tornando-se seus herdeiros na prática do serviço ao homem, dando até mesmo a própria vida. Apesar de espalhadas por todos os tempos e lugares, as comunidades cristãs participarão de um só e mesmo Espírito, o Espírito que guiou toda a atividade de Jesus.
25-27: A mãe de Jesus representa aqui o povo da antiga aliança que se conservou fiel às promessas e espera pelo salvador. E o discípulo amado representa o novo povo de Deus, formado por todos os que dão sua adesão a Jesus. Na relação mãe-filho, o evangelista mostra a unidade e continuação do povo de Deus, fiel à promessa e herdeiro da sua realização.
28-30: O projeto de Deus a respeito do homem se completa na morte de Jesus, sinal do seu dom de amor até o fim. O Espírito que Jesus entrega é o mesmo que o conduziu em toda a sua atividade. Ele realiza o reino universal e constitui o novo povo de Deus, que continuará a obra de Jesus.
31-37: Morto na cruz, Jesus é o grande sinal, o ápice de todos os sinais narrados pelo evangelista. O sangue simboliza a morte; a água simboliza o Espírito que dá a vida: com sua morte Jesus trouxe a vida. Captar e testemunhar este sinal é questão decisiva, pois só através dele a história do homem vai encontrar a possibilidade de chegar à sua plenitude, dando lugar à sociedade livre e fraterna. É acreditando na vida de Jesus que o cristão continua a obra libertadora por Ele iniciada.
38-42: O drama da paixão termina da mesma forma que havia começado: Jesus está dentro do jardim do paraíso. Tendo vencido a serpente, Jesus abre de novo para o homem a possibilidade de se realizar plenamente na comunhão com Deus.
Temos aqui uma questão crucial para o cristão: ou ele acredita em Jesus vivo hoje e dá testemunho, ou vê Jesus como vítima derrotada e sepultada no passado. Então fica paralisado diante da violência dos poderosos, e não é capaz de dar testemunho de Jesus.

E finalmente, no domingo, celebraremos a Páscoa do Senhor.


Evangelho de João 20,1-9:
No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido tirada do túmulo. Então saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: “Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram”.
Saíram, então, Pedro e o outro discípulo e foram ao túmulo. Os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. Olhando para dentro, viu as faixas de linho no chão, mas não entrou.
Chegou também Simão Pedro, que vinha correndo atrás, e entrou no túmulo. Viu as faixas de linho deitadas no chão e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não posto com as faixas, mas enrolado num lugar à parte.
Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo. Ele viu, e acreditou.
De fato, eles ainda não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos.

A fé na ressurreição tem dois aspectos. O primeiro é negativo: Jesus não está morto. Ele não é falecido ilustre, ao qual se deve construir um monumento. O sepulcro vazio mostra que Jesus não ficou prisioneiro da morte.
O segundo aspecto da ressurreição é positivo: Jesus está vivo, e o discípulo que o ama intui essa realidade.

Jesus está vivo. Ele vive em nós e entre nós. Está presente em Corpo e Sangue na Eucaristia. Ele é Deus.



FELIZ E ABENÇOADA PÁSCOA A TODOS!

Que a fé e a esperança de um mundo melhor se renove nesta Páscoa.

Abraço fraterno a todos.

Com carinho,
Daniele Schmidt

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